Portuguesa Santista: Orgulho que atravessa oceanos e gerações

 



    No ano em que a "Mais Briosa" celebra o título da Série A3 e carimba seu retorno à Série A2 do Paulistão, vale a pena mergulhar no passado para reencontrar um dos capítulos mais imponentes e heroicos da história do futebol brasileiro: a histórica excursão à África em 1959.

    O cenário era bem diferente dos dias atuais. Para cumprir uma série de amistosos no continente africano, a delegação santista embarcou no navio Boissevan em uma jornada marítima que durou 13 dias — um teste de resistência impensável para o padrão de descanso do esporte moderno.

    Em campo, o cansaço deu lugar ao espetáculo. Durante 42 dias (de 16 de abril a 28 de maio), a Portuguesa Santista desfilou sua categoria em 15 partidas divididas entre Moçambique, África do Sul e Angola. O balanço foi avassalador: 15 vitórias implacáveis e 75 gols, coroando o atacante Grillo como o grande artilheiro da excursão.


Data

Adversário

Local

Resultado

16/04

Seleção de Lourenço Marques

Moçambique

5 x 0

18/04

Ferroviário de Moçambique

Moçambique

8 x 0

19/04

Desportivo Lourenço Marques

Moçambique

5 x 0

26/04

Seleção de Lourenço Marques

Moçambique

4 x 2

30/04

Ferroviário de Moçambique

Moçambique

3 x 0

03/05

Seleção da Beira

Moçambique

2 x 0

09/05

Seleção de Lourenço Marques

Moçambique

9 x 1

10/05

Seleção de Transvaal

África do Sul

5 x 1

16/05

Seleção da África do Sul

África do Sul

5 x 1

17/05

Ferroviário de Angola

Angola

7 x 1

19/05

Seleção de Huíla

Angola

3 x 0

21/05

Seleção de Luanda

Angola

6 x 1

23/05

Seleção de Benguela

Angola

4 x 1

24/05

Ambaca

Angola

3 x 0

28/05

Seleção de Huambo

Angola

6 x 2


    Se a campanha técnica foi irretocável, o gesto de maior grandeza da Briosa aconteceu longe da bola rolar. No dia 13 de maio, na Cidade do Cabo, a equipe enfrentaria um combinado sul-africano. Já no vestiário, a diretoria foi informada de que, por conta das leis do Apartheid, os atletas negros do elenco não poderiam entrar em campo. A resposta da Portuguesa Santista foi inflexível: ou jogam todos, ou não joga ninguém. Sem chances de acordo com os dirigentes locais e para não compactuar com a discriminação, o grupo pegou suas malas e deixou o estádio.

    A atitude corajosa ecoou forte. No Brasil, o então presidente Juscelino Kubitschek manifestou apoio público à decisão, no que se tornou o primeiro posicionamento oficial do Estado brasileiro contra o Apartheid. Anos mais tarde, o próprio Nelson Mandela enviaria uma carta agradecendo ao clube por esse pioneiro ato de resistência humana.

    Pela campanha invicta e perfeita nos gramados africanos, a Briosa  recebeu da CBD (Confederação Brasileira de Desportos) a prestigiada honraria Fita Azul do Futebol Brasileiro. Mais do que um título, a Briosa conquistou o respeito eterno do mundo, imortalizando essa postura ética e vitoriosa nas linhas de seu hino oficial.

Viva a Associação Atlética Portuguesa Santista!


Futebol de Botão - Portuguesa Santista
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Newton Pereira é botonista da LIGA FUTEBOTON, santista da geração de ouro do Rei Pelé e debatedor semanal no YouTube sobre o Santos FC. Apaixonado pela história do futebol e pelas mesas de botão, ele traz suas crônicas e análises quinzenais aqui no Futeboton.

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